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Itaguara na Obra Roseana

      Itaguara desempenhou um papel importantíssimo na construção da obra literária de João Guimarães Rosa – que é a mais importante da literatura brasileira e uma das mais importantes da literatura universal. Foi em Itaguara que Guimarães Rosa retomou o seu contato direto com o meio interiorano de Minas Gerais. Em Itaguara ele teve a oportunidade de, já bastante maduro reencetar e aprofundar a sua experiência de menino nascido e criado em cidade pequena, rodeada do pequeno grande mundo da zona rural de Minas Gerais - uma boa e autêntica amostra de sertão que ele, mais tarde, alcançou penetrar mais afundo. Em Itaguara, observou, estudou e anotou todos os aspectos da realidade física – a flora, fauna, as serras, os rios e córregos e ribeirões – e, sobretudo, da realidade humana e social – as estórias e os causos mais representativos e expressivos da cultura local. Alguns dos tipos humanos e sociais que depois transpôs para as suas marcantes criações ficcionais, foi em Itaguara que João Guimarães Rosa os conheceu, observou, registrou. Não é desarrozado supor, e mesmo presumir, que em Itaguara ele começou a escrever os contos de Sagarana. Por tudo isso, Itaguara deve ser considerada o lugar que teve o privilégio de, ao se tornar a morada de Guimarães Rosa por dois fecundos anos, e logo no início da sua vida profissional de médico, haver fornecido a Guimarães Rosa os elementos, o material com que ele principiou a construir a sua imensamente importante obra literária: o lugar onde começou a nascer o seu imenso mundo literário, imaginário porém fundado na realidade social e humana, na realidade terra-a-terra do interior de Minas Gerais. O mais importante da magna opus de João Guimarães Rosa começou em Itaguara.

                        Alaor Barbosa – escritor nascido em Goiânia